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Animadores de juventude como agentes de mudança

A futura direção do trabalho desenvolvido na área da juventude está intimamente relacionada com a forma como co-criamos e aspiramos a uma consciência mais elevada na sociedade.

O trabalho desenvolvido junto dos jovens tem sido definido pelas ideologias e pelas tendências sociais, políticas e económicas predominantes em cada época e lugar. Têm sido preconizados diferentes modelos que procuram envolver os jovens e estabelecer o papel dos animadores da juventude e educadores.

Nas últimas décadas, as atividades tradicionais exercidas junto dos jovens têm vindo a desvanecer e, cada vez mais, os animadores da juventude são vistos como prestadores de serviços para a juventude. A UE e os governos nacionais têm disponibilizado diferentes recursos aos animadores da juventude, tais como formação, fundos e espaços que permitam manter os jovens afastados de problemas.

A tendência é agir sobre o "problema" que os jovens podem vir a enfrentar, como por exemplo: mães solteiras, drogas e vícios, criminalidade juvenil, jovens excluídos. Este modelo de envolvimento focado no indivíduo não deixa espaço para que os jovens desafiem coletivamente as estruturas de poder existentes. O medo atual de radicalização torna ainda mais difícil o trabalho dos animadores da juventude que procuram envolver os jovens em atividades de resistência à opressão.

Atualmente, os termos "terrorismo", "extremismo" e "radicalização" projetam uma determinada imagem nas nossas mentes e retratam a juventude, em particular a juventude muçulmana, como objetos de manipulação que facilmente podem ser encaminhados para comportamentos violentos, exceto se forem salvos pelo estado.

O trabalho na área da juventude e as instituições educacionais são vistos como o mecanismo estatal mais poderoso para combater essa ameaça. Isso tem conduzido a políticas que visam controlar os jovens, ao invés de os considerar importantes atores e agentes de mudança positivos na sociedade. Para aqueles de nós que estão a trabalhar com jovens, precisamos de avaliar criticamente a nossa motivação, papel e competência para o trabalho que desenvolvemos. Como é que estamos a trabalhar junto dos jovens? Por que é que estamos a desenvolver este trabalho junto dos jovens e será que temos as capacidades de que precisamos para promover mudanças positivas na vida dos jovens, assim como na sociedade.

Agora é altura de os animadores da juventude voltarem a ser corajosos! É necessário relembrar as bases tradicionais do trabalho desenvolvido junto dos jovens. Podemos ajudar os jovens a compreender as estruturas de poder desiguais existentes na sociedade e aquilo que eles podem fazer se quiserem desafiar o status quo sociopolítico. Para fazer isso, primeiro precisamos de refletir e avaliar se queremos manter as estruturas de poder desiguais existentes ou estamos prontos para desafiá-las?

Será que reparamos nas estruturas de poder – que são complexas e, muitas vezes, têm uma natureza subtil – ou serão estas complexidades invisíveis?

Como é que analisamos o poder? Como é que escutamos as diferentes perspetivas? Como é que podemos transferir competências analíticas para os jovens e ajudá-los a entender as suas realidades e o seu papel na sociedade? Como é que podemos ajudar os jovens a utilizar o seu poder e capacidade de criação de alianças para alterarem as suas realidades?

Alguns dos valores fundamentais do trabalho desenvolvido junto dos jovens incluem o diálogo crítico, a igualdade de oportunidades, o respeito e a participação, que é voluntária e não obrigatória. Tendo como base estes valores, o papel do animador da juventude é agir como um catalisador para a mudança e conseguir que os jovens sejam capazes de agir e tomar medidas quanto às questões que lhes interessam e dizem respeito. Apoiá-los através de educação não-formal, criando oportunidades para que os jovens construam o seu pensamento crítico, assim como ajudá-los a explorar as questões que concernem as suas realidades e a reconhecer sentimentos legítimos de revolta: ajudando-os a exprimir tais sentimentos através de ações não violentas, recorrendo, para o efeito, a processos democráticos e a instrumentos legítimos disponíveis nas nossas sociedades.

Será que o trabalho atualmente desenvolvido junto dos jovens respeita esses valores e ideais fundamentais, ou será que a institucionalização deste trabalho nos tornou servos do Estado em vez de agentes de mudança? Qual o fim e a quem é que o trabalho se destina?

A futura direção do trabalho desenvolvido na área da juventude está intimamente relacionada com a forma como cocriamos e aspiramos a uma consciência mais elevada na sociedade.

Autoras: Farkhanda Chaudhry e Riikka Jalonen

A Dra. Riikka Jalonen é a Diretora Executiva do Instituto Finlandês de Educação para a Paz e a Dra. Farkhanda Chaudhry é uma animadora da juventude de Glasgow. Ambas, em conjunto e por conta própria, incentivam os jovens a mudarem o mundo e a trabalharem ativamente para a paz. O duo dinâmico encontrou-se quando foram designadas como formadoras do curso de formação "Piece of Peace in Piispala" (Um Pouco de Paz em Piipala) financiado pelo Programa Erasmus+ – Juventude em Ação.

 

Publicado: sex, 27/01/2017 - 16:39


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