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Vencedores do Prémio de Literatura da União Europeia de 2013 anunciados na Feira do Livro de Gotemburgo

Commission Européenne - IP/13/877   26/09/2013

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Comissão Europeia

Comunicado de imprensa

Gotemburgo/Bruxelas, 26 de setembro de 2013

Vencedores do Prémio de Literatura da União Europeia de 2013 anunciados na Feira do Livro de Gotemburgo

Os vencedores do Prémio de Literatura da União Europeia de 2013, que consagra os melhores autores em início de carreira na Europa, foram anunciados hoje, aquando da abertura da Feira do Livro de Gotemburgo, na Suécia, por Androulla Vassiliou, Comissária Europeia responsável pela Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude. Os vencedores deste ano são: Isabelle Wéry (Bélgica), Faruk Šehić (Bósnia-Herzegovina), Emilios Solomou (Chipre), Kristian Bang Foss (Dinamarca), Meelis Friedenthal (Estónia), Lidija Dimkovska (antiga República jugoslava da Macedónia), Katri Lipson (Finlândia), Marica Bodrožić (Alemanha), Tullio Forgiarini (Luxemburgo), Ioana Pârvulescu (Roménia), Gabriela Babnik (Eslovénia) e Cristian Crusat (Espanha). Ver adiante informações mais pormenorizadas sobre os autores vencedores e as respetivas obras.

«Dou os meus sinceros parabéns a todos os vencedores deste ano. O Prémio de Literatura da União Europeia dá visibilidade internacional a excelentes novos autores ou autores em início de carreira que, de outro modo, poderiam não alcançar o reconhecimento que merecem fora do seu país. Para além de auxiliar estes autores a chegar a novos públicos, queremos dar a conhecer aos leitores nova literatura europeia de excelente qualidade e ampliar o leque de escolhas ao seu dispor. Desta forma, poderemos contribuir, a longo prazo, para a criação de um verdadeiro público europeu de quase 500 milhões de leitores potenciais. O nosso novo programa Europa Criativa permitir-nos-á dar mais apoio para cobrir as despesas de tradução de livros e reforçar a diversidade cultural», afirmou a Comissária Vassiliou.

Cada vencedor recebe 5000 euros. Mas, mais importante ainda, os seus editores serão incentivados a candidatar-se a financiamento da UE para que as obras vencedoras sejam traduzidas para outras línguas europeias. O Prémio de Literatura da União Europeia (PLUE) está aberto a 37 países que participam no atual programa «Cultura» da UE (28 Estados-Membros da UE, bem como a Albânia, a Bósnia-Herzegovina, a Islândia, o Liechtenstein, a antiga República jugoslava da Macedónia, o Montenegro, a Noruega, a Sérvia e a Turquia). Todos os anos, júris nacionais de um terço dos países nomeiam os autores a concurso, de modo a que todos estejam representados num período de três anos.

Os galardoados deste ano receberão os respetivos prémios numa cerimónia que se realizará em Bruxelas em 26 de novembro, na presença da Comissária Androulla Vassiliou e de figuras proeminentes do mundo da literatura, da cultura e da política. O PLUE é organizado pela Comissão Europeia em conjunto com a federação dos livreiros europeus e internacionais (EIBF - European and International Booksellers Federation), o conselho dos escritores europeus (EWC - European Writers Council) e a federação dos editores europeus (FEP - Federation of European Publishers).

John Mc Namee, Presidente da EIBF, declarou: «Uma vez mais, é com muita satisfação que encontro novos talentos e quero dar os meus mais sinceros parabéns a todos os vencedores deste ano. Os livreiros regozijam-se pelo facto de o Prémio PLUE ajudar a literatura a atravessar fronteiras e encaram com entusiasmo a perspetiva de oferecer aos leitores mais escolha, mais livros e mais literatura europeia.»

Por seu turno, Pirjo Hiidenmaa, Presidente do EWC, afirmou: «A Europa precisa de histórias e contadores de histórias e a procura de livros sobre temas intemporais nunca se esgotará. Os escritores alimentam as mentes e as línguas com centelhas criativas, e só a mudança mantém vivas as culturas; por isso, é sempre motivo de júbilo celebrar novas vozes da literatura que nos asseguram que a cultura continua a crescer e evoluir.»

«Muito me apraz que a nossa organização participe ativamente no Prémio de Literatura da União Europeia. Graças a este prémio, temos a oportunidade de descobrir novos mundos e novas culturas através do trabalho dos talentosos autores vencedores. Espero que os vencedores de 2013 sejam merecidamente traduzidos em muitas línguas – é uma forma fantástica de celebrar a diversidade da Europa, um valor que devemos acalentar nestes tempos de crise», disse ainda Piotr Marciszuk, Presidente da FEP.

Esta edição da Feira do Livro de Gotemburgo dá especial destaque à Roménia. A Comissária Vassiliou participou esta manhã na cerimónia de inauguração, juntamente com Mircea Cărtărescu, o consagrado poeta, romancista e ensaísta romeno.

A Europa Gosta de Ler

Após uma conferência de imprensa (12:15), a Comissária Vassiliou participará igualmente num evento relacionado com a sua campanha em prol da literacia, «A Europa Gosta de Ler». Nessa ocasião, encontrar-se-á com jovens alunos da escola internacional de Gotemburgo (Internationella Engelska Skolan), que lerão excertos dos seus livros preferidos. Um em cada cinco jovens de 15 anos de idade e um elevado número de adultos na União Europeia não sabem ler corretamente. A campanha visa sensibilizar o público para a crise de literacia na Europa e promover o prazer da leitura. A Comissária Vassiliou participa regularmente em sessões de leitura envolvendo crianças, adolescentes e adultos. Os eventos com crianças costumam ter uma dimensão multilingue, a fim de as incentivar a ler em voz alta em diferentes línguas e realçar a importância da diversidade linguística.

Contexto

A Comissão Europeia investe 3 milhões de euros por ano em tradução literária e mais de 2,4 milhões de euros em projetos de cooperação que envolvem o setor livreiro. A indústria contribui com 23 mil milhões de euros para o PIB da UE e emprega 135 000 pessoas a tempo inteiro. Os livros são o segundo dos bens culturais mais exportados na UE, a seguir às obras de arte e às antiguidades.

Desde o lançamento do Prémio de Literatura da União Europeia em 2009, o programa «Cultura» da UE já providenciou verbas para a tradução de obras de 43 vencedores do PLUE, em 20 línguas, num total de 149 traduções. Além disso, os vencedores beneficiam também de uma maior visibilidade nas principais feiras do livro da Europa, entre as quais se incluem as de Frankfurt, Londres e Gotemburgo, e o festival «Passaporta» de Bruxelas.

A edição de livros constitui uma parte significativa dos setores cultural e artístico, que representam até 4,5 % do PIB da UE e mais de 8 milhões de postos de trabalho. Embora esses setores se tenham revelado relativamente resistentes durante a crise, não deixam de enfrentar também desafios consideráveis, decorrentes da passagem à era digital, da globalização e da segmentação do mercado segundo linhas culturais e linguísticas.

Em janeiro de 2014, a Comissão lançará o novo programa «Europa Criativa», que visa reforçar a competitividade dos setores cultural e artístico e promover a diversidade cultural. Prevê-se que o novo programa tenha um orçamento total de 1,3 mil milhões de euros para o período de 2014-2020, o que representa um aumento de 9% em relação aos atuais níveis de financiamento. O programa disponibilizará fundos para a tradução de mais de 4 500 livros e permitirá também que 300 000 artistas e profissionais da cultura deem a conhecer as respetivas obras noutros países e adquiram experiência internacional.

Informações complementares

Sítio Web do Prémio: http://www.euprizeliterature.eu/

Portal da Cultura da União Europeia: http://ec.europa.eu/culture

Sítio Web de Androulla Vassiliou

Acompanhe Androulla Vassiliou no Twitter @VassiliouEU

Anexo: Autores premiados e respetivos livros

Isabelle Wéry

Bélgica

Marilyn Désossée / Marilyn Deboned, Éditions Maelström, 2013

Para além de escritora, Isabelle Wery, natural de Liège, é também atriz e encenadora. Três vezes nomeada para o Prémio da Crítica de Teatro belga, conquistou o galardão em 2008 com a sua peça La tranche de Jean-Daniel Magnin.

Entre as suas obras anteriores incluem-se o romance Monsieur René, uma biografia imaginária do ator belga René Hainaux, e Saisons culottes amis (Yvettes Poems). Em 2013, o seu conto Skaï foi publicado na revista Feuilleton, uma coletânea de autores belgas.

Marilyn Désossée é um road movie em forma de romance. A personagem principal é Marilyn Turkey, eternamente fascinada por encontros íntimos e românticos. Que fenómeno bizarro é este que junta duas vidas? A exploração de Marilyn não tem limites e procura alcançar todos os recantos da existência.

Faruk Šehić

Bósnia-Herzegovina

Knjiga o Uni / The Book of Una, Buybook d.o.o., 2011

Faruk Šehić nasceu em 1970 em Bihac e cresceu em Bosanska Krupa, que na altura fazia parte da Jugoslávia. Estava a estudar medicina veterinária em Zagreb quando a guerra deflagrou em 1992. Nessa altura com 22 anos, alistou-se como voluntário no exército da Bósnia-Herzegovina, onde comandou uma unidade de 130 soldados. Depois da guerra, estudou literatura e, a partir de 1998, começou a escrever as suas próprias obras. Os críticos consideram-no um dos mais talentosos jovens escritores da região, uma luz de esperança da chamada «geração derrubada».

The Book of Una conta a história de um homem que tenta superar um trauma pessoal provocado pela guerra na Bósnia-Herzegovina entre 1992 e 1995. Abrange três períodos, designadamente, a infância tranquila passada nas margens de um rio de uma pequena cidade na Bósnia, o período da guerra e, por último, as suas tentativas para retomar uma vida normal numa cidade e num país destruídos. O livro é dedicado a todos os que acreditam no poder e na beleza da vida perante a morte e a destruição maciça. Em paralelo à narrativa principal, as passagens que descrevem o rio Una assumem uma dimensão mítica e onírica.

Chipre

Emilios Solomou

Hμερολóγιο μιας απιστίας / The Diary of an Infidelity, Psichogios Publications SA, 2012

Emilios Solomou nasceu em 1971 em Nicósia, tendo crescido na aldeia de Potami. Estudou história e arqueologia na Universidade de Atenas. Estudou igualmente jornalismo em Chipre e, durante vários anos, trabalhou para um jornal diário. Atualmente, é professor de grego e história numa escola secundária.

Um dos seus romances anteriores, intitulado An Axe in Your Hands, conquistou o prémio de literatura do Estado de Chipre. Solomou é também autor de diversos contos, publicados em revistas literárias.

The Diary of an Infidelity é um romance sobre o tempo, a destruição, a memória e o amor. Yiorgos Doukarelis é um arqueólogo e professor que regressa a uma ilha 20 anos volvidos sobre a escavação que lhe granjeou a fama - a descoberta dos restos mortais de uma jovem grávida assassinada há 5000 anos. Aquando da expedição arqueológica, Yiorgos mantém uma relação com uma das suas alunas, Antigoni, com quem acabará por casar mais tarde, depois de se divorciar da sua mulher. O seu regresso à ilha ocorre seis meses após o misterioso desaparecimento de Antigoni. Yiorgos acaba por explorar os laços secretos que o unem às três mulheres da sua vida, viajando entre o passado e o presente.

Dinamarca

Kristian Bang Foss

Døden kører audi / Death Drives an Audi, Gyldendal, 2012

Nascido em 1977, Kristian Bang Foss estudou inicialmente matemática e física na universidade. Em 2003, concluiu o curso da escola dinamarquesa de escritores (Forfatterskolen).

Publicou o seu primeiro romance Fiskens vindue (The Window of the Fish) em 2004, tendo impressionado os críticos com o seu estilo e a sua descrição de ações e intentos aparentemente triviais. À sua estreia seguiu-se Stormen i 99 (The Storm in 99), cuja ação decorre num vulgar local de trabalho que, com um magnífico toque de humor negro, se transforma no epicentro de difamações, jogos de poder e de uma série de acontecimentos absurdos.

Døden kører audi / Death Drives an Audi remete-nos para o ano de 2008.

Asger vive com a namorada e a filha desta em Copenhaga e trabalha para uma agência de publicidade. A crise do crédito começa a fazer-se sentir e, na sequência de uma campanha desastrosa pela qual foi responsável, Asger é despedido. Passa os dias deitado no sofá e vai acumulando problemas de peso e de álcool. A namorada deixa-o e ele muda-se para um apartamento em Sydhavn, perdendo o contacto com toda a gente. Seis meses depois, aceita um emprego como assistente de um deficiente, Waldemar, que quer consultar um curandeiro em Marrocos. Embora cético, Asger ajuda-o a angariar o dinheiro necessário para a viagem. Iniciam a sua viagem pelas estradas da Europa – mas começam a ser seguidos por um Audi preto. À medida que se aproximam de Marrocos, a viagem transforma-se numa corrida contra a morte.

Marica Bodrožić

Alemanha

Kirschholz und alte Gefühle / A Cherrywood Table, Luchterhand Literaturverlag, 2012

Marica Bodrožić nasceu em 1973 em Svib, na Croácia, na antiga Jugoslávia. Aos dez anos, foi viver para a Alemanha. Para além de escrever ensaios, romances e poemas, Bodrožić é tradutora literária, dá aulas de escrita criativa e já realizou um filme documentário.

Em A Cherrywood Table, Arjeta Filipo é uma jovem que perdeu a sua terra natal na sequência da guerra civil na antiga Jugoslávia. Ao mudar de casa, Arjeta encontra algumas fotografias antigas que a ajudam a compreender partes da sua vida que há muito pareciam obscuras. Arjeta consegue distanciar-se de muitas coisas, mas a mesa da avó não a deixa indiferente. Ao sentar-se a esta peça de mobília herdada no seu novo apartamento em Berlim, contemplando as fotografias, as memórias começam a emergir: é como se a mesa de cerejeira lhe devolvesse todas as histórias de que foi testemunha ao longo dos anos.

Meelis Friedenthal

Estónia

Mesilased / The Bees, AS Varrak, 2012

Meelis Friedenthal, igualmente nascido em 1973, é autor de uma tese de doutoramento sobre um tratado filosófico-teológico do século XIII relativo a vista e visão. Atualmente, é investigador principal na biblioteca da Universidade de Tartu, onde é também docente na faculdade de teologia e história. O primeiro romance de Friedenthal, Golden Age, obteve o terceiro lugar num concurso nacional realizado em 2004. No ano seguinte, Nerissa conquistou um prémio de ficção científica na Estónia. O autor é ainda membro do conselho editorial da revista eletrónica Algernon, que publica ficção científica, notícias e artigos.

Mesilased narra as aventuras de Laurentius Hylas, um estudante que viaja da Universidade de Leiden para a Academia Gustavo-Carolina em Tartu, na Livónia.

Tartu é reputada pelas suas musas, mas Laurentius só consegue ver gente a morrer de fome e casas invadidas pela humidade. Cada vez mais afetado pela melancolia, receia ver novamente os fantasmas que o assombraram desde a infância. Laurentius ouve um professor discorrer sobre as teorias médicas de Boyle e segue o seu conselho de realizar uma sangria moderada para curar o seu estado. Infelizmente, esta não corre bem e Laurentius desmaia exangue. Toldado pela fraqueza, vê uma rapariga de «olhos dourados, da cor do mel escuro, a sua respiração um sussurro». A rapariga passa a aparecer à noite, oferecendo-lhe comida, e, mais tarde, Laurentius começa a aperceber-se dos estranhos acontecimentos que ocorrem em seu redor.

Lidija Dimkovska

Antiga República Jugoslava da Macedónia (ARJM)

РЕЗЕРВЕН ЖИВОТ / Backup Life, Ili-Ili, 2012

Lidija Dimkovska nasceu em 1971 em Skopje. É poeta, romancista, ensaísta e tradutora. Estudou literatura comparada na Universidade de Skopje e doutorou-se em literatura romena na Universidade de Bucareste. Foi docente de literatura e da sua língua materna em Bucareste e de literatura universal na Universidade de Nova Gorica, na Eslovénia. Desde 2001, vive em Liubliana, na Eslovénia, onde trabalha como escritora freelance e traduz literatura romena e eslovena para macedónio. É editora de poesia na revista literária Blesok, publicada na Internet em macedónio e inglês.

Backup Life conta a história de duas gémeas siamesas, Srebra e Zlata, e a sua luta pela individualidade, a privacidade e uma vida própria. Narrada por Zlata, a história começa em 1984, numa tarde de junho num subúrbio de Skopje e termina em 18 de agosto de 2012 exatamente no mesmo local. As personagens divertem-se a adivinhar o futuro para decidir quem vai casar com quem, a que idade, etc. Mais adiante no romance, as suas profecias tornam-se realidade mas de uma forma trágica. No início, são Srebra e Zlata quem joga às adivinhações; no final, quem o faz são as filhas de Zlata, as gémeas Marta e Marija. Fecha-se o círculo – 28 anos de vida, crescimento, sofrimento, amor e ódio. O negrume que ensombra a separação das gémeas siamesas é uma metáfora da cisão das repúblicas jugoslavas.

Katri Lipson

Finlândia

Jäätelökauppias / The Ice-Cream Man, Tammi Publishers, 2012

Katri Lipson nasceu em Helsínquia em 1965. Após o ensino secundário, estudou medicina na Suécia, tendo concluído a licenciatura na faculdade de medicina da Universidade de Uppsala em 1993. Desde então, trabalhou como médica na Suécia, em África e na Finlândia. Sempre se dedicou à escrita, criando contos de fadas, contos, poemas, peças e romances. Estreou-se com o romance Cosmonaut (Kosmonautti), que foi nomeado para o Prémio Finlandia em 2008 e conquistou o galardão atribuído pelo jornal Helsingin Sanomat ao melhor livro de estreia do ano. O seu segundo romance, Jäätelökauppias (The Ice-Cream Man), foi publicado em 2012. Lipson vive com a sua família em Vantaa, na Finlândia.

Jäätelökauppias é uma história divertida e encantadora, cuja ação decorre sobretudo na Checoslováquia dos anos quarenta e cinquenta mas também se estende até ao presente. Uma equipa de filmagem está a realizar um novo filme. O realizador quer trabalhar sem argumento. O filme é realizado por ordem cronológica, para que os atores não possam adivinhar o destino das suas personagens. Representam e vivem as vidas das suas personagens ao mesmo tempo – mas poderá a vida destas personagens fictícias tornar-se mais real do que a própria realidade? E o que é, afinal de contas, a diferença entre experiências reais e imaginárias ou ficcionais? Este romance apresenta-nos a vida como uma coleção de histórias e detalhes e a narrativa estabelece um diálogo fascinante com o presente.

Tullio Forgiarini

Luxemburgo

Amok Eng Lëtzebuerger Liebeschronik / Amok A Luxembourg Love Story, Éditions Guy Binsfeld, 2011

Tullio Forgiarini nasceu em 1966 em Neudorf, no Luxemburgo, filho de pai italiano e mãe luxemburguesa. Estudou história no Luxemburgo e em Estrasburgo. Desde 1989, ensina história, latim e geografia no Lycée du Nord em Wiltz, no Luxemburgo. Trabalha ainda ativamente com crianças oriundas de meios sociais desfavorecidos. Forgiarini escreve histórias desapiedadas, sobretudo em francês, inspirado pelos policiais da série noire e por filmes noir. Tem trabalhos publicados em jornais, revistas e antologias e é autor de vários romances. É casado e vive no Luxemburgo.

Em 17 curtos capítulos, Amok relata a história de um adolescente em busca de amor, reconhecimento, felicidade e um lugar na sociedade atual. Recorrendo muitas vezes a uma linguagem rude, o livro reflete de forma convincente o isolamento social, a indiferença, a ausência de perspetivas, as perturbações comportamentais e a violência gratuita que hoje prevalecem. Explora realidades do dia-a-dia que não costumam figurar nos meios de comunicação social e no discurso público. O leitor é atirado para os mundos imaginários do protagonista, oníricos e concebidos de forma engenhosa, que representam as suas tentativas frustradas de fugir a uma realidade que não consegue controlar.

Ioana Pârvulescu

Roménia

Viaţa începe vineri / Life Begins on Friday, Humanitas Publishing, 2009

Nascida em Braşov em 1960, Ioana Pârvulescu licenciou-se na faculdade de letras da Universidade de Bucareste em 1983. Ensina literatura moderna na mesma faculdade desde 1996. Fez o doutoramento em 1999, com a tese Literary Prejudices: Comfortable Options in Interpreting Romanian Literature. Foi coordenadora da série Cartea de pe noptieră (Bedside Book) na editora Humanitas e trabalhou como editora na revista literária România literară. É membro da associação de escritores romenos e membro fundador da sociedade de literatura comparada na Roménia.

Life Begins on Friday é uma viagem singular e encantadora a tempos idos. Um jovem é encontrado inconsciente nos subúrbios de Bucareste. Ninguém sabe quem ele é e todos têm uma teoria diferente sobre como ele ali foi parar. As histórias das diversas personagens, estreitamente interligadas com as histórias seguintes, vão desvendando os contornos daquela que se virá a revelar a personagem mais importante de todas: a própria cidade de Bucareste. Poder-se-á mesmo dizer que somos nós quem habita o futuro das personagens. E o mesmo se pode dizer de Dan Creţu, aliás Dan Kretzu, o jornalista do presente atirado para o passado por um qualquer processo misterioso apenas o tempo suficiente para nos dar a oportunidade de contemplar um mundo remoto e quase caído no esquecimento mas que permanece muito vivo nos nossos corações.

Eslovénia

Gabriela Babnik

Sušna doba / Dry Season, Študenstska Založba, 2012

Gabriela Babnik nasceu em 1979 em Göppingen, na Alemanha. Uma vez concluído o curso na Universidade de Liubliana, passou algum tempo na Nigéria e apresentou a sua tese de mestrado sobre o romance moderno nigeriano. Desde 2002, escreve regularmente artigos para as principais publicações diárias e semanais da Eslovénia. Em 2005, Babnik concluiu o curso de literatura comparada e teoria da literatura na Universidade de Liubliana.

O seu primeiro romance, Koža iz bombaža (Cotton Skin), publicado em 2007, conquistou o prémio de melhor romance de estreia concedido pela associação de editores eslovenos. V visoki travi (In the Tall Grass), o seu segundo romance, foi nomeado para o prémio Kresnik em 2010.

Dry Season é o relato de uma história de amor invulgar. Anna é uma designer de 62 anos, oriunda da Europa Central, e Ismael é um africano de 27 anos, criado nas ruas, onde foi frequentemente vítima de abusos. Une-os a solidão, a infância trágica e a estação seca, ou Harmattan, durante a qual nem a natureza nem o amor conseguem florescer. Anna apercebe-se desde logo que o vazio entre ambos não tem a ver com a cor da pele ou a diferença de idade, mas sobretudo com o facto de ela pertencer a uma cultura ocidental em que perdeu ou abandonou os papéis tradicionais de filha, mulher e mãe. O sexo não permite superar a solidão e os segredos reprimidos do passado emergem num mundo que ela considera muito mais cruel e, ao mesmo tempo, mais inocente do que aquele que conheceu.

Cristian Crusat

Espanha

Breve teoría del viaje y el desierto / A Brief Theory of Travel and the Desert, Editoriales

Pre-Textos, 2011

Cristian Crusat (n.1983) é o autor de Estatuas (2006), Tranquilos en tiempo de guerra (2010) e Breve teoría del viaje y el desierto (2011). Em 2010, conquistou o prémio internacional Manuel Llano. Os seus ensaios, traduções e artigos sobre literatura comparada foram publicados em diversas revistas de Espanha e da América Latina. Em 2012, Crusat editou e traduziu El deseo de lo único. Teoría de la ficción, o ensaio crítico do escritor francês Marcel Schwob. É professor de literatura e espanhol no estrangeiro.

Os seis contos de Breve teoría del viaje y el desierto cobrem a gama completa das experiências humanas. Transportam-nos numa viagem à volta do mundo, desde as paisagens áridas da costa do Mediterrâneo à obra do brilhante escritor sérvio Milorad Pavić. Todas as personagens esperam, procuram ou exploram a possibilidade de uma revelação que nunca se concretiza no torpor do dia-a-dia. Paradoxalmente, parecem ser incapazes de tomar qualquer iniciativa, com a possível exceção de Lena, que escreve a partir do mundo volátil dos sonhos. Porém, o destino ou o mero acaso (um acontecimento irrelevante, alguém que desmaia numa praia de nudistas, um acidente de avião que nunca chegou realmente a acontecer) podem revelar repentinamente a realidade da solidão de uma personagem.

Contactos :

Dennis Abbott (+32 2 295 92 58); Twitter: @DennisAbbott

Dina Avraam (+32 2 295 96 67)


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