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Bruxelas, 26 de Maio de 2011

Ambiente: triplicar a utilização dos recursos até 2050 ou melhorar a eficiência e a reciclagem?

A Comissão Europeia e o Programa das Nações Unidas para o Ambiente apresentaram hoje dois importantes relatórios que apelam a uma mudança radical na forma como utilizamos recursos escassos. O primeiro mostra o enorme potencial de aumento das taxas de reciclagem de metais. Só 18 metais têm uma taxa de reciclagem superior a 50%, a maioria não atinge sequer 1%. O segundo relatório, apresentado pela primeira vez na Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável em 18 de Maio, salienta a necessidade de uma dissociação radical para se evitar uma crise mundial de escassez de recursos até 2050, e apresenta cenários baseados em provas científicas sobre o consumo dos recursos no futuro. Ambos os relatórios, elaborados pelo Painel Internacional dos Recursos, apelam aos legisladores e responsáveis políticos para que encontrem formas de reduzir a utilização dos recursos e aumentar a reciclagem. A sua publicação por ocasião da Semana Verde abre a via ao próximo roteiro da Comissão «Rumo a uma Europa eficiente em termos de recursos».

O Comissário europeu responsável pelo Ambiente, Janez Potočnik, declarou: «Estes relatórios chamam a atenção para a urgente necessidade de transição para uma economia eficiente em termos de recursos. Descrevem claramente os enormes desafios que nos esperam, mas estou certo de que estamos à altura do desafio. A Comissão está agora a finalizar um roteiro «Rumo a uma Europa eficiente em termos de recursos», que estabelece uma agenda para a mudança e prepara o caminho para as próximas etapas. Precisamos agora de um diálogo eficaz com os Estados‑Membros, na medida em que serão necessárias decisões importantes em domínios como a reforma fiscal e a eliminação dos subsídios ineficientes. Também me congratulo com o apelo lançado no sentido de dar um maior destaque à reciclagem».

«Alcançar um crescimento económico sustentável e gerar oportunidades de emprego digno, mas mantendo a pegada ecológica da Humanidade no respeito dos limites planetários, é o desafio que se coloca à presente geração», afirmou Achim Steiner, Sub-Secretário Geral da Organização das Nações Unidas e Director Executivo do PNUA. «A dissociação entre crescimento e utilização dos recursos naturais contribuirá para enfrentar esse desafio e será essencial para operar a transição para uma economia hipocarbónica, eficiente e ecológica. A inovação, nomeadamente a nível tecnológico, fiscal e organizativo, deve ser fortemente impulsionada por políticas inteligentes e visionárias que apoiem as aspirações de sete mil milhões de pessoas (mais de nove mil milhões em 2050) tanto nos países desenvolvidos como em desenvolvimento. A Europa tem um papel essencial a desempenhar proporcionando parcerias que sejam agentes de mudança e acordos de cooperação que assegurem um acesso justo e equitativo aos recursos para todas as pessoas em todo o mundo».

Reciclagem de metais

Apesar de a indústria se preocupar com a escassez e os preços elevados, só cerca de um por cento de alguns metais de alta tecnologia e de importância crucial são actualmente reciclados. Os restantes metais são simplesmente rejeitados e deitados fora no final de vida dos produtos. Segundo o novo relatório, sem mudanças radicais nestas práticas, metais críticos, especializados e de terras raras poderão vir a estar em grande parte indisponíveis para utilização na moderna tecnologia. Em contrapartida, metais como o ferro e o aço, o cobre, o alumínio, o chumbo e o estanho beneficiam de taxas de reciclagem de 25% a 75% a nível mundial, embora as taxas sejam mais baixas em algumas economias em desenvolvimento.

O aumento das taxas de reciclagem graças a melhores sistemas de recolha e infra‑estruturas de reciclagem, especialmente nos países em desenvolvimento, poderia salvar milhões, ou mesmo milhares de milhões, de toneladas de gases com efeito de estufa e gerar potencialmente numerosos empregos «verdes». De acordo com o relatório, a reciclagem de metais é dez a doze vezes mais eficiente em termos energéticos que a fundição de metais provenientes de minério virgem.

Relatório sobre a dissociação

O relatório «Decoupling natural resource use and environmental impacts from economic growth» (Dissociar utilização dos recursos naturais e impacto ambiental do crescimento económico) conclui que, se a situação não se alterar, o consumo de recursos até 2050 atingirá o triplo do nível actual, representando um consumo anual de 140 mil milhões de toneladas de minerais, minérios, combustíveis fósseis e biomassa. Dado que esta situação não é obviamente viável, a solução é «dissociar» o crescimento económico da taxa de consumo de recursos naturais, aumentando a eficiência dos recursos. Sugerem-se três cenários, o mais ambicioso dos quais apela aos países desenvolvidos para que reduzam o seu consumo per capita para menos dois terços do nível actual (16 toneladas/ano), mantendo-se os restantes países aos níveis de hoje. O consumo de recursos poderia assim ser mantido aos níveis de 2000.

Ver: http://www.unep.org/resourcepanel/Publications/Decoupling/tabid/56048/Default.aspx

Antecedentes: Painel Internacional para a Gestão Sustentável dos Recursos

Este painel foi instituído para fornecer uma perspectiva científica independente sobre a utilização dos recursos naturais e os respectivos impactos ambientais, num esforço para dissociar o crescimento económico da degradação ambiental. Baseia‑se em pareceres de peritos ambientais de todo o mundo. É co-presidido pelo Presidente da UICN, Ashok Khosla, e pelo Professor Ernst Ulrich von Weizsäcker, ex-Presidente da Comissão do Ambiente do Bundestag.

O relatório integral está disponível em: http://www.unep.org/resourcepanel/


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