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Bruxelas, 30 de Março de 2009
Louis Michel, o Comissário responsável pelo Desenvolvimento e pela Ajuda Humanitária, afirmou: "A Europa já reagiu à crise alimentar, através de acções humanitárias, no âmbito da ajuda de emergência. A "Facilidade Alimentar" constitui a resposta da UE numa perspectiva de desenvolvimento - mil milhões de euros ao longo de um período de 3 anos para permitir a recuperação do sector agrícola. O pacote hoje adoptado, que visa os 23 países mais afectados, constitui uma resposta à crise alimentar que já está a afectar os países em desenvolvimento. Durante os próximos meses, não devemos esquecer as repercussões que a crise financeira e a recessão económica terão nos países em desenvolvimento – os seus efeitos só agora começam a fazer-se claramente sentir e poderão ser muito mais graves do que o previsto. E se a Europa está, como é evidente, centrada em planos de recuperação para a nossa própria economia, não deve diminuir o nosso empenhamento para com os países em desenvolvimento – tal como claramente demonstrado por decisões como a que hoje tomámos. "
Contexto:
Em 18 de Dezembro de 2008, o Parlamento Europeu e o Conselho adoptaram um regulamento que institui a "Facilidade Alimentar", com uma dotação de mil milhões de euros, que constitui a principal resposta da UE ao agravamento da situação de segurança alimentar a nível global em 2007/08. A decisão de financiamento hoje tomada, juntamente com o plano global de utilização da "Facilidade Alimentar", foram igualmente aprovados pelo Parlamento Europeu e por todos os Estados-Membros da UE.
A Facilidade, chamada a intervir entre o fim da ajuda de emergência e o recomeço da cooperação para o desenvolvimento a médio e longo prazo, estará em vigor durante um período de 3 anos (2009-2011). Serão apoiadas actividades de três tipos:
medidas para melhorar o acesso a factores de produção agrícolas como fertilizantes e sementes e a serviços de veterinários e consultores;
outras medidas em pequena escala tendo em vista o aumento da produção agrícola, tal como microcrédito, infra-estruturas rurais, formação e apoio a grupos profissionais no sector agrícola; e
medidas do tipo "rede de segurança", que permitam transferências de carácter social em favor de grupos vulneráveis da população, frequentemente sob a forma de obras públicas com grande intensidade de mão-de-obra (estradas, projectos de irrigação, etc.).
A decisão de financiamento adoptada pela Comissão apoiará projectos e programas em 23 países em desenvolvimento: Afeganistão, Bangladeche, Burquina Faso, Birmânia/Myanmar, Burundi, República Central Africana, República Democrática do Congo, Cuba, Eritreia, Etiópia, Gâmbia, Guiné-Bissau, Haiti, Honduras, Quénia, Libéria, Mali, Moçambique, Paquistão, Palestina, Filipinas, Serra Leoa e Zimbabué. O texto integral da decisão, incluindo as dotações por país, estará disponível na ligação infra.
Todos os financiamentos para os projectos hoje adoptados serão canalizados através de organizações internacionais: a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Programa Alimentar Mundial (PAM), o Banco Mundial, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e agências especializadas da ONU como o UNOPS (no Myanmar/Birmânia) e o UNRWA (na Palestina).
O plano global de aplicação da Facilidade Alimentar inclui uma lista de 50 países que receberão assistência durante um período de três anos. A ajuda será disponibilizada por intermédio de organizações internacionais e regionais e dos governos nacionais, sendo algumas actividades confiadas, na sequência de um convite à apresentação de propostas, a intervenientes não estatais, entidades dos Estados-Membros e outros organismos de execução elegíveis.
A decisão da Comissão sublinha o importante papel da União Europeia enquanto principal parceiro global empenhado na melhoria da segurança alimentar em todo o mundo. Os projectos a financiar terão um impacto positivo nas vidas de milhões de pessoas das populações mais pobres de África, da Ásia e da América Latina.