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Bruxelas, 3 de Novembro de 2009

Previsões do Outono para 2009-2011: Economia da UE a caminho de uma recuperação gradual

As previsões do Outono da Comissão avançam que a economia da UE emergirá da recessão na segunda metade deste ano, embora, para o conjunto de 2009, o PIB deva ainda recuar cerca de 4%. Espera-se uma recuperação gradual, com uma previsão de crescimento do PIB de 0,75%, em 2010, e em cerca de 1,5%, em 2011. A retoma da actividade prevista para o curto prazo deve-se às melhorias do contexto externo e das condições financeiras, assim como das medidas significativas executadas em matéria de política fiscal e monetária. Em seguida, é possível que alguns factores possam travar a procura privada e travem, do mesmo passo, a força da recuperação. Em especial, a situação continuará difícil no mercado de trabalho, prevendo‑se que o desemprego alcance 10,25% na UE. Espera-se igualmente o aumento do défice público para 7,5% do PIB, em 2010, antes de um ligeiro recuo, em 2011, com a retoma da economia e o abandono progressivo das medidas temporárias.

«A economia da UE está a sair da recessão. Isso deve-se, em muito, às ambiciosas medidas adoptadas por governos, bancos centrais e pela UE, que não só impediram o colapso do sistema como permitiram o arranque da recuperação. Contudo, muitos desafios nos esperam ainda daqui para a frente. Para garantir o ritmo e a sustentabilidade da recuperação, é essencial que apliquemos na totalidade todas as medidas anunciadas e completemos o processo de saneamento do sector bancário. Devemos igualmente começar a projectar-nos no médio prazo e decidir qual a melhor maneira de resolver os efeitos adversos da crise nos mercados de trabalho, nas finanças públicas e no crescimento potencial», disse Joaquín Almunia, o Comissário para os Assuntos Económicos e Monetários.

Depois de ter experimentado a recessão mais longa, profunda e alargada da sua história, a economia da UE atingiu um ponto de viragem. Os últimos meses trouxeram uma melhoria marcada na situação económica e nas condições financeiras, em grande parte devido às medidas de política fiscal e monetária sem precedentes que se tomaram. Diversos indicadores financeiros recuaram agora para níveis que apresentavam antes da crise, enquanto, ao mesmo tempo, a confiança cresce. As perspectivas globais de crescimento e comércio também são mais positivas, nomeadamente nas economias dos países emergentes. Com base nesta evolução, e juntamente com um ajustamento favorável a nível dos stocks , prevê-se que o crescimento do PIB na UE e na área do euro seja outra vez positivo no segundo semestre deste ano.

Prev isão de recuperação gradual

A melhoria das perspectivas a curto prazo na UE e no estrangeiro é, em parte, o resultado de factores temporários. À medida que o seu impacto for diminuindo, em 2010, é possível que a actividade a nível global atravesse uma fase difícil. Espera ‑se, por isso, que o crescimento das exportações da UE só gradualmente se consolide durante o período das previsões. A procura doméstica enfrenta igualmente algumas dificuldades para avançar. Como reflexo de uma baixa utilização das capacidades, de perspectivas de uma procura relativamente fraca, de ganhos de rentabilidade abaixo do normal e de um ainda moderado crescimento do crédito, não se projecta que o investimento recupere até 2011. Embora o consumo privado se tenha revelado um factor de estabilização durante a recessão, as despesas a curto prazo deverão ser travadas pela necessidade das famílias de reequilibrarem as suas finanças e pela difícil situação do mercado de trabalho. Um outro factor de restrição é o impacto negativo estimado da crise financeira na produção potencial. Assim, após uma primeira fase de retoma, o crescimento do PIB na UE e na área do euro deverá ainda afrouxar um pouco antes de voltar a recuperar, no segundo semestre de 2010 e daí em diante.

Mercado de trabalho e finanças públicas sob pressão

Embora o mercado de trabalho da UE tenha resistido melhor à recessão do que se esperava ( em grande parte graças às medidas políticas de curto prazo, às reformas aplicadas e à manutenção da mão-de-obra em alguns Estados-Membros), espera‑se uma maior perda de postos de trabalho nos próximos trimestres. Este ano, está prevista uma contracção do emprego em cerca de 2,25% que deverá continuar em 2010, com cerca de 1,25%. Talvez se possa esperar uma estabilização gradual do emprego no final de 2010 e em 2011, à medida que a recuperação ganhar terreno.

Também as finanças públicas se ressentiram duramente. O défice público deverá triplicar este ano na UE (atingindo quase 7% do PIB, contra 2,25% em 2008) e aumentar ainda, em 2010, para cerca de 7,5%. Esta deterioração resulta em parte da acção dos estabilizadores automáticos e das medidas discricionárias adoptadas para apoiar a economia, mas reflecte igualmente uma queda das receitas mais forte do que o habitual, em resposta à inflexão da economia. Espera-se que o défice desça ainda um pouco, ficando ligeiramente abaixo dos 7% do PIB em 2011, graças à retoma da actividade e ao fim das medidas temporárias. Contudo, o rácio da dívida deverá continuar a crescer.

A inflação mantém-se moderada

A inflação na UE e na área do euro deverá aumentar ligeiramente em relação ao nível actual, muito baixo, mas permanecer moderada durante o período da previsão. A média da inflação com base nos IHPC deverá situar-se ligeiramente acima de 1% em 2010 e em cerca de 1,5% em 2011, em ambas as áreas. Se, por um lado, o aumento dos preços dos produtos de base é susceptível de pressionar a subida da inflação, a estagnação económica e o diminuto crescimento dos salários deverão atenuar esse efeito.

A incerteza mantém-se elevada

A s perspectivas para a economia da UE ao sair da recessão mantêm‑se muito incertas e amplamente dependentes de riscos que, conquanto não negligenciáveis, se equilibram entre si. A recuperação pode surpreender pela positiva, se as medidas políticas forem mais eficazes do que o previsto a restaurar a solidez do sector financeiro e a impulsionar a confiança, ou se o aumento da procura global for superior ao antecipado. Por outro lado, o impacto negativo das más condições do mercado de trabalho e dos condicionalismos verificados no investimento poderá vir a ser mais forte do que se espera. Além disso, o sector bancário pode não conseguir, caso não saneie os seus balanços, dar apoio suficiente à recuperação. Os riscos de inflação parecem estar, também eles, previsivelmente equilibrados, em geral.

Consulte os quadros infra e o documento completo sobre as previsões em:

http://ec.europa.eu/economy_finance/thematic_articles/article16051_en.htm

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